O personagem

Snoopy aparece pela primeira vez numa tira de 4 de Outubro de 1950. Schulz originalmente ia chamar o cão de “Sniffy“, até que descobriu que esse nome já era usado noutra banda desenhada (tirinha). Snoopy foi durante dois anos uma figura silenciosa, agindo como um cão real (caminhava sobre as quatro patas), mas, em 19 de Outubro de 1952, ele verbalizou os seus pensamentos aos leitores pela primeira vez através de balões, Snoopy tinha também a capacidade de entender tudo o que as restantes personagens dos Peanuts, com quem interagia, diziam. Schulz, após esta data, passou a incluir essas características na sua banda desenhada.
Snoopy é um cão extrovertido com complexo de Walter Mitty, com muitas virtudes. A maior parte delas não são reais, mas sonhos que fazem parte do seu mundo de fantasia, que aparecem quando Snoopy dorme no telhado da sua casota.
Muitos dos momentos memoráveis dos “Peanuts” ocorreram durante esses sonhos nos quais ele era um escritor: o seu eterno abrir da mala onde está a máquina de escrever. “Estava uma escura e tempestuosa noite…” foi tirado de uma história de Edward George Bulwer-Lytton escrita em 1830 chamada Paul Clifford. O contraste entre a existência de Snoopy no mundo dos sonhos e de Charlie Brown no mundo real é o centro do humor e da filosofia de Peanuts (ver ex: Título de um livro: “A vida é um sonho, Charlie Brown”).
Schulz, numa entrevista em 1997, disse o seguinte acerca do carácter do Snoopy: “ele tem que sair do seu mundo de fantasia para sobreviver. Por outro lado, se assim fosse ele levaria uma vida miserável e aborrecida.”

Um dos primeiros desenvolvimentos do personagem de Snoopy foi a sua tendência para dormir no telhado da sua casa, em vez de dentro dela. Depois, Snoopy passou a andar apenas com duas pernas como um humano. Isso rapidamente se tornou tão comum que quase não se notou quando Snoopy começou a revelar uma variedade de alter egos, a personalidade mais notável é a do piloto da Primeira Guerra Mundial. Para compor esta faceta, ele põe os seus óculos de aviador, o seu capacete e voa no seu Sopwith Camel (na verdade, a sua casota), lutando contra Manfred von Richthofen o Barão Vermelho (que aparece indirectamente representado pelas balas que atingem a sua casota).
Snoopy também se torna “Joe Cool” quando põe os óculos de sol e se encosta na parede sem fazer nada. Ele tem também uma personalidade em que é um escritor famoso (que na realidade chegou a publicar uma vez, numa história de Outubro de 1995, na qual uma cópia da sua obra sem nome foi escrita, mas resultou num fracasso de vendas), um advogado (que uma vez defendeu Peter Rabbit), um jogador de hóckei no gelo, um patinador olímpico (patinando com Sonja Henie), o “Beagle Solitário” (o primeiro cão a voar sozinho sobre o Atlântico) e também o primeiro astronauta a chegar à Lua.
Fora do seu mundo de fantasia, ele é o shortstop na pequena equipe de baseball do Charlie Brown (e também o melhor jogador, quase batendo o recorde de Babe Ruth de 714 home runs antes de Hank Aaron), e até tinha um Van Gogh, mais tarde substituido por um Andrew Wyeth depois de a sua primeira casa ter incendiado. Snoopy é também um “escoteiro beagle” (Beagle Scout), a versão dos “Peanuts” do “Eagle Scout” e é o líder de uma tropa que é constituida pelo Woodstock e por outros pássaros seus amigos. Este tema aparece ao longo de toda a banda desenhada. Outras personalidades que Snoopy apresenta são: o “Flashbeagle”, o “Vulture”, e o “Legionário estrangeiro”.
A exceção do seu dono, Charlie Brown, o melhor amigo de Snoopy é o pequeno pássaro amarelo Woodstock, que apenas “fala” em marcas da apóstrofe. O seu arquinimigo (além Manfred von Richthofen) é o invisivel “Gato estúpido da porta ao lado” (também chamado “Terceira guerra mundial”). Durante uma série das séries diárias, Snoopy antagonizou o gato a cada dia, e a pata do gato fazia movimentos gigantes que dizimavam a casota recém-construida de Snoopy numa extensão maior que no dia anterior. De fato, o Snoopy não gostava de gatos em geral, comentando que eles eram “as ervas daninhas no relvado da vida” (“the crab grass on the lawn of life”) e ficando ofendido com a expressão “gatos e cães”, insistindo que a expressão correta deve ser “cães e gatos”.
Charlie Brown é o dono do Snoopy (embora este pareça ser um cão perdido que Charlie Brown e os seus amigos adotaram, ou vice-versa), mas a relação entre eles não era como mestre e servo. O tormento de Charlie Brown, Lucy, uma vez exigiu saber quando é que ele levaria Snoopy a aulas de adestramento. Snoopy pergunta-se até que ponto Charlie Brown faria tudo o que ele quisesse.
Por um tempo, em 1977, Snoopy ficou prometido a uma cadela que nunca apareceu, que ele conheceu enquanto guardava a casa da Peppermint Patty. Mas, ela fugiu com o irmão do Snoopy, o Spike, e mais tarde viu-se a sua chegada ao deserto do Spike. Esta história foi adaptada à animação com o nome: “O Snoopy vai casar, Charlie Brown” (Snoopy’s Getting Married, Charlie Brown).
Snoopy odeia doces de coco e bolachas, tem claustrofobia, e tem um medo mortal dos pedaços de gelo que balançam em cima da sua casa, que é muito maior por dentro do que o que parece por fora (o sotão é suficientemente grande para ter uma piscina, os quadros mencionados acima e uma TV).
Snoopy é bilingue, pois compreende um pouco de francês. A sua comida de cão chama-se “para cães que voaram na primeira guerra mundial e compreendem um pouco de francês”. Ele fracassou no seu curso de geometria, que era sua desculpa para não poder seguir o curso de golfe.
Snoopy tem também a sua própria dança, que se chama a Dança do Snoopy (Snoopy dance).

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